Artista dança de olhos fechados para ver melhor

Outros sentidos: Luaa Gabanini dança "no escuro" em Olhos Serrados - Foto: Leo Mussi

Outros sentidos: Luaa Gabanini dança “no escuro” em Olhos Serrados – Foto: Leo Mussi

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Foi em pleno deserto do Atacama, no Chile, que a artista Luaa Gabanini resolveu fazer uma coisa incomum aos turistas que só pensam em tirar uma selfie.

Ela meditou.

Segundo relato da própria, o ato de ter fechado os olhos era tão ou mais potente do que toda a paisagem que a cercava.

Foi assim que percebeu que, mesmo com as pálpebras fechadas, o horizonte permanecia em sua retina.

A experiência sensorial a fez criar o espetáculo de dança Olhos Serrados, no qual está sozinha em cena e também assina a direção.

“Onde se forma o ponto de vista das coisas? Precisamos ver para certificar que algo existe? Fechar os olhos é um ato político”, diz.

No espetáculo, portanto, dança com os olhos vendados, além de também recitar textos e exercitar o público e a si mesma sensorialmente. Eugênio Lima faz direção musical e Claudia Schapira, o figurino. Já a luz é de Cibele Forjaz, e Roberta Estrela D’Alva deu treinamento de spoken word à bailarina, uma espécie de declamação mais sofisticada.

A obra estreia no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (r. Dr. Teodoro Baima, 94, metrô República, São Paulo) no dia 9 de outubro, às 21h.

E permanece em cartaz até o fim do mês, sempre às sextas-feiras, no mesmo horário.

A performance integra a programação de outubro da ocupação Arena Urbana – De Onde Viemos para Onde Voltamos, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, famosa trupe que uniu hip-hop e teatro épico brechtiano.

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