Entrevista de Quinta: “Eu me liberto todos os dias no teatro”, diz André Dias

O ator André Dias: streap-tease em Copacabana - Foto: Guga Melgar

O ator André Dias: para combater a crise, streap-tease em Copacabana no espetáculo Ou Tudo Ou Nada – Foto: Andrea Rocha

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Um dos nomes importantes da cena contemporânea de teatro musical no Brasil, o ator e diretor André Dias dá vida a Malcolm no espetáculo Ou Tudo Ou Nada – O Musical, em cartaz no Theatro Net Rio, em Copacabana, Rio de Janeiro.

Antes, deu vida ao lendário produtor musical Ezequiel Neves no musical Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz e a Olavo Bilac no elogiado musical Bilac Vê Estrelas, sendo indicado a melhor ator do Prêmio Bibi Ferreira por este trabalho.

Agora, dá diva a um homem fracassado e frustrado com sua vida que vê no strip-tease a única saída para sobreviver. Sem pudores, o ator mergulha na história e fica nu na última cena do espetáculo.

Nesta Entrevista de Quinta, ele falou sobre isso e também sobre o mercado teatral, a crise e seu amor pelos palcos.

Leia com toda a calma do mundo.

André Dias - Foto: Guga Melgar

André Dias: “Toda a dramaturgia da peça converge para uma grande cena final de nudez” – Foto: Andrea Rocha

MIGUEL ARCANJO PRADO — É difícil tirar a roupa no palco, por quê?
ANDRÉ DIAS — Não. Toda a dramaturgia da peça converge para uma grande cena final de nudez. Ela acontece de forma natural como uma metáfora da condição humana daqueles personagens.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Onde buscou inspiração para fazer este personagem?
ANDRÉ DIAS — Malcolm é um homem solitário e sem identidade, refém de uma mãe controladora. Um homem que não cresceu. Sua identidade se forma através da relação de amizade com os demais personagens. Busquei a pureza e a inocência da infância para compor a personagem.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você acha que o mercado de musicais já está realmente estabelecido no Brasil? Por quê?
ANDRÉ DIAS — Sim, e em constante evolução. É preciso entender o musical como linguagem, como gênero teatral, e não dissociá-lo do teatro convencional. As plateias se interessam pelo gênero, pois a música é uma linguagem universal que conduz o viés emocional da trama. Existe todo o tipo de público. Há quem ame o gênero e há quem não goste, mas se o musical traz o público de volta as salas teatrais, que montemos musicais. O importante é que o teatro permaneça vivo e seja uma ferramenta de formação e de reflexão do nosso momento.

André Dias - Foto: Guga Melgar

André Dias: “O importante é que o teatro seja uma ferramenta de reflexão do nosso momento” – Foto: Andrea Rocha

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual a diferença em fazer um musical gringo de um com temática nacional? Tem predileção por algum?
ANDRÉ DIAS — Há espaço para ambos. É claro que, como brasileiro, me identifico com aquilo que é pertinente à nossa cultura, por isso me orgulho muito de produções como Rádio Nacional, Bilac Vê Estrelas e Vingança. Neste momento de crise moral e financeira, estou no elenco de Ou Tudo Ou Nada e não vejo nada mais pertinente a ser montado no Brasil, do que este musical americano. Vivemos um momento em que o brasileiro precisa se reinventar para sobreviver e exatamente esta história que estamos contando todas as noites. Isto é teatro.

MIGUEL ARCANJO PRADO — E por que você faz teatro?
ANDRÉ DIAS — Teatro é mais que o meu trabalho. É a minha cura. É onde me renovo me reinvento e sigo em frente. Erro e acerto, mas sigo em frente. Faço qualquer concessão para continuar atuando e dirigindo, para continuar pensando o teatro que me fortalece e me forma como indivíduo e como artista. Quando abre o pano estou a serviço de uma história, empresto minha vivência, minhas dores e alegrias, e me liberto todos os dias. O teatro me faz um homem melhor.

André Dias - Foto: Guga Melgar

André Dias: “O teatro me faz um homem melhor” – Foto: Andrea Rocha

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