Polícia invade Teatro de Arena para espancar estudantes e artistas marcam protesto

Estudante deixa Teatro de Arena ensanguentado após ser espancado - Foto: Reprodução/Facebook/Paulo Goya

Estudante deixa Teatro de Arena ensanguentado após ser espancado – Foto: Reprodução/Facebook/Paulo Goya

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A classe artística está indignada com a invasão do Teatro de Arena por policiais militares nesta semana, para espancarem estudantes que fugiam da repressão a um protesto no centro de São Paulo e tentavam se refugiar no espaço, onde acontecia uma aula do grupo teatral Núcleo Bartolomeu de Depoimentos.

O episódio lembrou a muitos os tempos da ditadura civil-militar que imperou no Brasil entre 1964 e 1985, quando o mesmo espaço, tão emblemático para a sociedade, era comumente alvo da repressão do regime por conta de seu discurso artístico de resistência.

A Cooperativa Paulista de Teatro fez o chamamento para que artistas protestem contra o episódio para a próxima quinta (17), a partir das 17h, em frente ao Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na rua Teodoro Baima, 98, quase esquina com as avenidas Ipiranga e Consolação.

A entidade presidida pelo diretor Rudifran Pompeu emitiu nota na qual diz: “A Cooperativa vem manifestar mais uma vez o repúdio à truculência militar contra os estudantes secundaristas. A PM invadiu o Teatro de Arena usando violência desmedida contra jovens adolescentes. Esta poderia ser uma notícia do período da ditadura militar, mas não, aconteceu ontem”, diz o texto que ainda lembrou “a maioria da população não confia e tem medo da polícia no Estado de São Paulo”. A carta ainda ressaltou “a conivência da mídia paulistana, que se omite frente à brutalidade do Estado”.

Agressões

A Funarte, órgão federal ligado ao Ministério da Cultura e que é a responsável pelo Teatro de Arena, também emitiu a seguinte nota pública:

A Fundação Nacional de Artes – Funarte tomou conhecimento de que, durante uma atividade pública, realizada pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, na noite da última quarta-feira, dia 9 de dezembro, nas dependências do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo, motocicletas conduzidas por policiais militares invadiram o hall do teatro, em perseguição a jovens que vinham das manifestações promovidas por estudantes secundaristas e, em razão da repressão policial, procuraram abrigo no espaço. Os policiais retiraram à força os jovens de dentro da bilheteria do teatro, sem ordem de prisão, nem qualquer tentativa de manutenção da ordem – apenas com agressões aos adolescentes.

A Funarte repudia essa ação arbitrária e violenta, que fere os direitos previstos na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e, principalmente, o Estado Democrático de Direito. Em defesa da memória do Teatro de Arena e de todos os artistas que fizeram desse espaço palco da luta insubmissa e revolucionária contra a ditadura militar, a Funarte e o Ministério da Cultura, gestores do teatro, exigem esclarecimentos do Governo do Estado de São Paulo sobre o episódio.

Solidarizamo-nos com os jovens agredidos, suas famílias, os artistas e o público, presente no teatro; e com todos aqueles que acreditam que a democracia é o nosso maior patrimônio – e, por isso, sentem-se também violentados.”

Covarde

Eugênio Lima, ator do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, que faz ocupação artística no Arena e estava no local dando uma aula pública no teatro, utilizou o Facebook para se manifestar sobre o que aconteceu.

“Vi três jovens serem perseguidos por motocicletas e espancados dentro do hall do Teatro de Arena […] Vi um policial com a motocicleta empurrar um jovem desarmado, sem camisa, em cima das grades do banco em frente ao teatro. Depois, quatro motos invadiram o hall do teatro, e os policiais arrancaram os dois jovens que estavam procurando abrigo dentro da bilheteria, e espancaram um deles com socos. Quando viram que estávamos observando, saíram em disparada. Ninguém deu ordem de prisão nem fez qualquer menção de levar os jovens para a delegacia. Foi uma agressão pura, brutal e feita de maneira covarde”.

 

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1 Resultado

  1. juarez lopes disse:

    …é triste saber que a classe estudantil ,a mesma que irá edificar o progresso futuro da nação cause tanto repudio nos policiais ,esses mesmos policiais que por questão de lógica ou bom senso deveria protege-los por estarem se preparando na esperança de edificar um país mais forte ,mais honesto e acima de tudo ,com mais dignidade , pois , é triste ser brasileiro e saber que em outros paises somos julgados todos corruptos , por habito de conduta ou como, otários por aceitação…

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