Crítica: Em Juliette, Satyros desfila profusão de corpos em riste para criar imagens impactantes

Os atores Lucas Allmeida e Stephane Sousa em cena de Juliette - Foto: André Stefano/Divulgação

Os atores Lucas Allmeida e Stephane Sousa em cena de Juliette – Foto: André Stefano/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

De Marquês de Sade o grupo paulistano Os Satyros entende bem. Após A Filosofia na Alcova, Os 120 Dias de Sodoma e Justine, esta última com grande performance de Andressa Cabral, eis que, em 2015, chegou a hora de o diretor Rodolfo García Vázquez contar a história de Juliette, na última peça da Tetralogia Libertina inspirada no escritor francês que viveu entre 1740 e 1814.

O que o público vê no Estação Satyros, a todo instante, é uma profusão de corpos imagéticos, que Vázquez ressignifica a cada instante, embalado com sua trilha saída de uma badtrip em algum buraco escuro dos anos 1980.

Leia também a crítica para a peça Os 120 Dias de Sodoma, do Satyros

Diretor habilidoso, ele brinca com os signos e transforma os corpos de seus atores em notas com a qual compõe sua ópera orgiástica soturna, enquanto a vida de Juliette, moça saída de um convento para virar uma depravada libertina, é contada.

Destaques no elenco: Flavio Sales e Daiane Brito em cena da peça Juliette, do Satyros - Foto: André Stefano/Divulgação

Destaques no elenco: Flavio Sales e Daiane Brito em cena da peça Juliette, do Satyros – Foto: André Stefano/Divulgação

É claro que julgamentos moralistas estão a anos-luz de distância da peça, que é de uma crueza consonante com a metrópole cosmopolita, dura e cinza, que a abriga.

Nas atuações, há destaques. Caso de Flavio Sales, com um meticuloso trabalho de voz e presença cênica, personificando a figura do mal. Marcelo Thomaz também mostra maturidade cênica, justificando sua presença cada vez mais constante nas peças do Satyros, assim como Sabrina Denóbile, outra que está completamente entregue à proposta sem amarras, o que é fundamental no teatro que o grupo da praça Roosevelt faz. Para completar, mesmo no coro, Daiane Brito consegue chamar o olhar do espectador para si com forma crível e intensa que diz cada sílaba do pouco texto que tem. É um deleite vê-la e escutá-la.

Mesmo com a proeminência de alguns, o elenco, no todo, está entregue e forma um conjunto coeso. Ainda estão no palco, cheios de vigor e coragem, Billy Eustáquio, Cristian Silva, Débora Cruz, Diego Ribeiro, Eric Barros, Evandro Roque, Fernando Soares, Hanna Perez, Janaína Arruda, Lenin Cattai, Lucas Allmeida, Ren’Art, Silvio Eduardo e Stephane Sousa.

E é nesta multidão de gente conjunta (literalmente) que mora a grande força de Juliette. Às vezes, a sensação é que há mais almas no palco do que na plateia, quase coagida por tanta energia em riste diante de si. Este é o grande trunfo do espetáculo.

Juliette * * *
Avaliação: Bom

Juliette faz parte da Tetralogia Libertina do grupo Os Satyros, inspirada na obra de Marquês de Sade - Foto: André Stefano/Divulgação

Juliette faz parte da Tetralogia Libertina do grupo Os Satyros, inspirada na obra de Marquês de Sade – Foto: André Stefano/Divulgação

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1 Resultado

  1. dezembro 13, 2015

    […] Leia também a crítica para a peça Juliette, do Satyros […]

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