Entrevista de Quinta: “Vivos e mortos são interdependentes”, dizem Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, que estreiam Pessoas Sublimes com o Satyros

Ivam Cabral, Helena Ignez e Gustavo Ferreira em cena de Pessoas Sublimes, nova peça do grupo Os Satyros - Foto: André Stefano/Divulgação

Ivam Cabral, Helena Ignez e Gustavo Ferreira em cena de Pessoas Sublimes, nova peça do grupo Os Satyros – Foto: André Stefano/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

É tarde de Quarta-Feira de Cinzas. O centro de São Paulo parece preguiçoso no pós-Carnaval. Mas, no escritório do grupo Os Satyros e em seu teatro Satyros Um, a movimentação é intensa.

Todos estão imbuídos nos  últimos preparativos para a chegada de Pessoas Sublimes, nova peça da trupe paulistana que faz pré-estreia para convidados nesta quinta (11) e estreia nesta sexta (12).

A obra muda o costumeiro foco para a região central de São Paulo para o extremo sul da cidade. Mais especificamente em Parelheiros, às margens da represa de Guarapiranga, onde se passa a história que consegue inspiração no mundo das fábulas infantis para conectar vida e morte.

Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, uma das principais duplas do teatro brasileiro contemporâneo, assinam o texto do espetáculo, que será transformado em filme em 2017. Enquanto Vázquez também dirige a obra, Cabral está em cena, na pele do menino Desatino. No elenco, ainda estão Bel Friósi, Eduardo Chagas, Fabio Penna, Felipe Moretti, Fernanda D’Umbra, Gustavo Ferreira, Helena Ignez, Henrique Mello, Luiza Gottschalk, Maria Tuca Fanchin, Phedra de Córdoba e Sabrina Denobile.

Em meio ao frenesi pré-estreia, Vázquez e Cabral param tudo para esta Entrevista de Quinta, dada entre a plateia do Satyros Um e o passeio com os cachorros Cacilda, Chico e Araci pela praça Roosevelt.

Leia com toda a calma do mundo.

Ivam Cabral é o menino Desatino em Pessoas Sublimes - Foto: André Stefano/Divulgação

Ivam Cabral é o menino Desatino em Pessoas Sublimes – Foto: André Stefano/Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Por que vocês gostam tanto de gente?
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ —
De gente? [risos] Acho que porque a gente é gente [risos]. Boa pergunta! Meu, é que as histórias são incríveis. Quando você chega mais perto de qualquer ser humano você vai descobrir uma história incrível. Então, acho que é isso. Se eu começar a perguntar a história da sua vida, da sua família, você terá histórias loucas para me contar. Então, acho que o teatro é esse lugar onde o ser humano se reconhece. Eu reconheço você e vejo em você as minhas questões e vice-versa. Isso é o que marca nossa relação com o público e com o teatro, o espaço onde nos reconhecemos e podemos nos repensar.
IVAM CABRAL — Quem me ensinou a gostar de gente foi o Rodolfo. Pessoas Sublimes tinha sete atores e hoje somos 13. Ele sempre vai chamando muita gente. No começo, me assustava, porque a gente já chegou a ter mais gente no palco que na plateia [risos]. Mas, aprendi e acho ótimo. No teatro deste tamanho, onde cabem 60 pessoas, seria natural que fizéssemos peças com dois, quatro atores no máximo. E a gente tem investido nisso. Eu tenho orgulho disso, Miguel, de trabalhar com muita gente.

MIGUEL ARCANJO PRADO — A parceria entre vocês já vai caminhando para 30 anos. Como é trabalhar com alguém que você conhece tão bem, o que é mais fácil e o mais difícil?
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ —
Eu acho que o mais fácil é o mais difícil. Que é justamente encontrar o equilíbrio entre aquilo que queremos dizer e a forma. O diálogo entre a forma e o conteúdo. Muitas vezes, temos a mesma percepção, mas buscamos formas diferentes. Outras vezes, vamos na mesma forma, mas com conteúdos diferentes. Então, esse equilíbrio entre o conteúdo e o diálogo que estabelecemos para chegar nesse lugar é o desafio e, ao mesmo tempo, a vantagem. Eu sempre me surpreendo com o Ivam. Quando você é um artista inquieto, sempre traz coisas inesperadas. Busca abrir fronteiras. A gente é muito inquieto, cada espetáculo vai para um lugar. Pessoas Sublimes é muito diferente!
IVAM CABRAL — O Rodolfo é, misteriosamente, o dionisíaco da história, e eu sou o apolíneo. A gente passa imagens diferentes. Todo mundo pensa que eu sou muito louco, e eu sou o mais organizado. Eu sou canceriano e, embora ele seja pisciano, e isso não significa muita coisa. O Rodolfo á mais sonhador, mais maluco, esquece mais das coisas. E eu vou organizando atrás dele. “Rodolfo, por favor, faz isso”. Então, eu acho que essas duas coisas se complementam. Daí ele vai precisar do meu lado organizador, e eu preciso dele para lembrar que eu estou vivo toda hora. O Rodolfo tem esse dom, para ele toda hora é uma grande novidade. Ele amanhece todos os dias com muita esperança no futuro, muita alegria pela vida. E ele passa isso para mim. A gente acaba sendo contagiado pelo Rodolfo.

Elenco de Pessoas Sublimes, que estreia nesta sexta (12), no Satyros Um, em SP - Foto: André Stefano/Divulgação

Elenco de Pessoas Sublimes, que estreia nesta sexta (12), no Satyros Um, em SP: Eduardo Chagas, Sabrina Denobile, Phedra D. Córdoba, Helena Ignez, Gustavo Ferreira, Maria Tuca Fanchin, Felipe Moretti, Fernanda D’Umbra, Ivam Cabral, Fábio Penna, Bel Friósi, Luiza Gottschalk e Henrique Mello – Foto: André Stefano/Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Rodolfo, você falou que Pessoas Sublimes é diferente. Por quê?
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ —
A gente foi se inspirar em O Pequeno Príncipe, que nem as misses leem mais… em Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, em Tim Burton, em O Mágico de Oz… A gente foi por lugares muito loucos, que normalmente nunca teríamos ido. A gente queria se arriscar. E isso vem muito das provocações que o Ivam trouxe, de redescobrir as qualidades de textos como o do Pequeno Príncipe, de tirar do clichê.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quem são as Pessoas Sublimes?
IVAM CABRAL —
Nós temos muito material de pesquisa. Fomos a todos grupos de autoajuda que você imagina. Então, vamos recolhendo histórias e materiais que nos possibilitariam ficar o resto da vida falando de pessoas. Mas, a gente estruturou uma trilogia, que vinha na cola do Hipóteses para o Amor e a Verdade. A gente definiu: Pessoas Perfeitas, Pessoas Sublimes e Pessoas Brutas. E a ficha da Sublimes caiu, e o Guilherme Dearo foi quem me fez lembrar disso no texto que escreveu para o livro da peça, quando eu fui para a radioterapia e tive de ficar isolado. Isso foi mais ou menos fevereiro, março do ano passado. Como tem aquela coisa radioativa, fui para Parelheiros, para a minha casinha, e fiquei lá uma semana. E foi engraçado que foi a primeira vez que fiquei lá uma semana sem contato com ninguém. E eu conheci uma senhora à beira da represa. É um lugar que tem um por do sol lindo, é incrível. Sempre vou ver o por do sol e conheci uma senhora de uns 50 anos que morou na Santa Cecília [bairro central paulistano] a vida inteira e não se casou. A família tinha uma casa lá na represa que ela ia quando pequena. Só que ela descobriu um câncer no seio e estava em metástase. Então, ela foi para lá para morrer. Ela estava se tratando, mas sabia que não sairia de lá. Então, ela falava dos bares de Santa Cecília, da vida que ela tinha. E eu pensei: imagina se eu tivesse que ficar aqui para sempre? O que aconteceria? Isso foi o start para pensar Pessoas Sublimes. Trouxe a ideia para o Rodolfo: “cara, se passa em Parelheiros, pega uma outra São Paulo”. Apesar de o IDH ser um dos mais baixos da cidade, tem também uma classe média, é uma São Paulo rural, com bichos, com mata atlântica. A gente descobriu que messiânicos acreditam que ali ficam um dos três solos sagrados do mundo, os outros ficam no Japão e na Tailândia. Eles acreditam que aquele lugar onde moro em Parelheiros é um lugar sagrado, as pessoas que estão ali são escolhidas e estão salvas. Então, ficamos pensando, tá bom, aqui é um portal de passagem: aquele morador pecador que vem do centro, da praça Roosevelt, da bagunça, quando vem para cá se purifica. Também vi num telejornal uma reportagem que falava da história de uma garota Doris Day que foi assassinada e jogada na represa. Aí a peça foi surgindo… A gente está falando do tempo, da morte…
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ — Essas Pessoas Sublimes são pessoas que vivem no limite e que enfrentam a vida e seus desafios de uma forma digna, como qualquer ser humano, tentando resolver problemas que todos nós um dia teremos de enfrentar. Problemas diante da morte, da decadência física… São os vivos e os mortos que permeiam as nossas vidas. Tem uma frase da peça que gosto muito: “Vivos e mortos são interdependentes, somos todos interdependentes”. Acho que é um pouco isso. As pessoas na peça reconhecem que tudo que elas são depende de quem já viveu, de quem já esteve aqui, de quem vai estar, e que a gente é só um pequeno fragmento de uma história muito maior na qual tudo está interligado.

Cena da peça Pessoas Sublimes, do grupo Os Satyros - Foto: André Stefano/Divulgação

Cena da peça Pessoas Sublimes, do grupo Os Satyros – Foto: André Stefano/Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Pessoas Sublimes vem depois do sucesso de Pessoas Perfeitas, que ganhou o APCA e foi para Cuba. Vocês sentem alguma pressão?
IVAM CABRAL —
Acho que não. Juro. Quando um espetáculo da gente é bem recebido, a gente adora. Mas, quando a gente chega neste momento, a gente tem certeza do que a gente quer. Então, não vai ser a crítica que vai dizer algo. O artista tem certeza do que está falando. A gente quer contar essa história. Queremos que o público venha muito e que vocês, da crítica, gostem, é claro. Mas, não é a última peça nossa. É mais uma importante dentro de todas da nossa vida. A gente está em um processo.
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ — Eu acho que num primeiro momento, quando a gente fez nosso primeiro grande sucesso, que foi A Filosofia na Alcova, eu ficava me questionando muito isso: “Meu Deus, será que vou conseguir fazer uma peça que toque as pessoas?”. E logo em seguida fizemos Saló, Salomé, que também fez um grande sucesso, e a gente foi embora do Brasil. E eu tive um grande branco na minha carreira que foi a pressão de acertar. Às vezes é meio assustador quando você acerta muito um trabalho. Depois de um tempo, e levou um tempo, aprendi que o mais importante não é acertar para o público, mas acertar para você. E daí, quando você busca acertar para você, as coisas ficam muito mais fáceis. E acertar para você é sentir muito prazer no processo. Daí você vai para outro lugar. Fiz trabalhos muito prazerosos e fundamentais para mim que a crítica não entendeu, mas também descobri que estava em outro lugar. E isso foi muito bom.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vocês acham que foi benéfico para o Satyros a retomada da Tetralogia Libertina, com novo elenco? Chegou um monte de gente nova. Como isso influenciou vocês, essa tal “new generation”, como eu chamo?
IVAM CABRAL —
Que bacana isso do “new generation”! [risos]. Quando pegamos o Satyros Dois foi para salvar uma história, para salvar o espaço, foi ainda antes de o Parlapatões chegar, poderia virar uma igreja. Era um momento que a batalha na praça Roosevelt ainda não estava ganha… Não sei se está ganha hoje, mas naquele momento era pior. Então, pegamos numa coisa heroica. Sempre tratamos aquele espaço como o Dois e a gente pensou num núcleo dois. Durante todos esses anos, a gente definia muito bem, sem falar sobre, que a gente tinha um núcleo duro e um outro núcleo. O que mudou agora, com a retomada da Tetralogia Libertina foi que não existe mais essa separação. Tanto que temos a Bel [Friósi] e o Felipe [Moretti], que seriam desse outro núcleo, com a gente em Pessoas Sublimes. Essas barreiras estão totalmente quebradas. No Satyros Cinema também acontece. Os grandes protagonistas do filme A Filosofia na Alcova são da “new generation”, como você chama. Hoje, somos um corpo só. E isso é muito bacana.
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ — Eu acho que foi muito importante. Muitos estão saindo das Oficinas do Satyros, alguns estão se profissionalizando, outros já são profissionais. Eles trouxeram um frescor para nós. Eu me renovei completamente com eles. Eu sou muito agradecido a eles. No mundo teatral, quando você é artista há muito tempo, você começa a ficar um pouco cínico, acomodado numa certa circunstância. Daí, a vinda deles trouxe isso de olhar o teatro frescamente de novo, não ter vícios. Não ter assim: “ai, de novo!”. Foi uma redescoberta interessante para mim e o Satyros de um modo geral.

Henrique Mello, como Arcanjo, e Bel Friósi, como Dorisdei, em Pessoas Sublimes - Foto: André Stefano/Divulgação

Henrique Mello, como Arcanjo, e Bel Friósi, como Dorisdei, em Pessoas Sublimes – Foto: André Stefano/Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quando Cléo De Páris volta ao Satyros?
IVAM CABRAL —
Ela já está voltando. Ela está fazendo Justine, que vai encerrar a Tetralogia Libertina. E isso é prova de que não existe mais um núcleo dois. Na verdade, com a Cléo, não houve ruptura. Houve um momento da vida. A Cléo parou de atuar aqui quando íamos fazer o Projeto Ciborgue. A gente vinha há anos experimentando essa coisa performativa. A gente chegava aqui sem nenhum roteiro. E a Cléo estava um pouco cansada disso. Ela chegou a falar isso com você numa entrevista que eu li. Ela estava na onda de querer um texto, de seguir um caminho diferente. A gente sempre foi conversando sobre isso. A Cléo ia fazer Pessoas Sublimes, mas não tínhamos um texto antes. Ela falou: “Ivam, sem um texto, eu não consigo”. A gente não tinha exatamente um texto com falas para ela decorar, iríamos num processo de investigação. Então, o que aconteceu com a Cléo foi um olhar dela sobre o teatro que se modificou. Ela se cansou de ficar na onda performativa e precisou de algo mais dramático. Então, agora, com o texto, ela está fazendo Justine.
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ — A gente está bem ansioso com essa volta da Cléo. Também estamos trabalhando a partir do que os atores trazem. Os 120 Dias de Sodoma mudou muito e Justine deve mudar muito também. Eu acho que Justine vem no momento que essa nova geração, ou “new generation” [risos], vem com muita força. Está todo mundo animadíssimo. Agora [sobre a ausência da Cléo nas últimas peças], acho que é normal. A Cléo sempre soube, assim como o Robson [Catalunha, que fará a nova peça de Bob Wilson no Brasil], que o Satyros é a casa deles. Eles voltam quando quiser. Assim como a Maria Casadevall, que agora mudou para a praça [Roosevelt]. A gente tem essa relação com as pessoas. Não tem isso de “está fora”. É muito difícil de se desvincular de um parceiro, a não ser que tenha tido uma briga horrorosa, o que não é o caso. Às vezes, é bom você dar um tempo. Eu muitas vezes fico cheio de mim mesmo, imagine os outros? Muitas vezes eu quero dar um tempo de mim, por que as pessoas não podem querer a mesma coisa?

MIGUEL ARCANJO PRADO — Phedra, que não estava em Pessoas Perfeitas, está em Pessoas Sublimes.
IVAM CABRAL —
Sim, Phedra está. Na verdade, por que a Phedra não estava em Pessoas Perfeitas? Na verdade, eu não me lembro. Acho que naquele momento ela estava fazendo alguma outra coisa. Nesse tempo todo ela fez o show dela… A Phedra nunca deixou de ser do Satyros. Hoje somos perto de 50 atores. E tem uma galera nova em funções importantes do grupo, o Diego [Ribeiro], o Silvio [Eduardo].

Eduardo Chagas em cena de Pessoas Sublimes - Foto: André Stefano/Divulgação

Eduardo Chagas em cena de Pessoas Sublimes – Foto: André Stefano/Divulgação

MIGUEL ARCANJO PRADO — Vocês chegaram com tudo no cinema brasileiro. Vieram para ficar?
IVAM CABRAL —
Você viu o trailer de A Filosofia na Alcova? Está ficando tão legal! É louco, forte, assustador!
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ —A gente está muito louco! A Filosofia vai ser bafo! Estamos finalizando e decidindo o que vamos fazer com isso! [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO — Eu vi. Acho que remete ao cinema brasileiro dos anos 1970, que tinha coisas mais ousadas…
IVAM CABRAL — O Filosofia na Alcova tem muito a ver com Walter Hugo Khouri. A estética do filme, é engraçado, a gente fica nos anos 70. Acho que tem tudo a ver. A gente sabe que é um filme diferente, não é para um mercado fácil. Mas estamos aprendendo, temos uma moçada muito bacana em volta. Conseguimos juntar um pessoal muito legal que faz a diferença. A gente está muito sério no cinema. Pessoas Perfeitas a gente roda em julho, agosto. E o Sublimes já foi todo pensado para virar filme. E seguramente o Pessoas Sublimes a gente filma em janeiro e fevereiro de 2017. Vai ser o cinema veloz. Hipóteses para o Amor e Verdade saiu agora do cartaz, ficou 26 semanas em cartaz, é muita coisa para um filme de estreia. A sala ainda não descarta de voltar em algum momento. Ficaram muito impressionados com o público.
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ — O Pessoas Perfeitas marca uma transição importante: vamos pensar roteiros cinematográficos que antes entrem pela porta do teatro. Pessoas Sublimes também está nessa trajetória. Que é essa coisa meio infantil de contar uma história, uma fábula, com começo, meio e fim. Pessoas Perfeitas tinha isso e esse muito mais. Pessoas Sublimes tem muito mais, imagine, é inspirado em Pequeno Príncipe! [risos].

MIGUEL ARCANJO PRADO — E como você consegue isso, “seu” Rodolfo, de fazer a historinha e ao mesmo tempo ser o Satyros, que vem de Marquês de Sade, que é adulto?
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ —
Eu não sei! [risos] Olha, a gente fez um ensaio aberto na última sexta-feira e as pessoas tiveram uma reação muito louca. Não me lembro de uma reação desse tipo numa peça do Satyros. As pessoas ficaram muito silenciosas, muito atentas. Fiquei preocupado, porque não estavam reagindo, riam pouco. Aí eu perguntei a uma delas no fim e a pessoa me disse: “Mas essa peça não é para rir. Eu me senti como uma criança quando ouve um adulto contar uma história muito linda”. Eu fiquei tão emocionado, tocado por isso, e feliz. Porque é nosso objetivo retomar a contação de histórias. E eu acho que isso está muito presente no Pequeno Príncipe, no Pluft, no Mágico de Oz… Mas contar isso do ponto de vida do adulto. O Ivam puxa isso, porque ele é a personagem infantil, e as pessoas se identificam muito. A Helena [Ignez] conta uma história… Tem uma cena do Gustavo [Ferreira] com o Ivam que o Gustavo é uma pessoa obcecada por números, bem Pequeno Príncipe, o matemático. E ele fica tomando a tabuada da criança que é o Ivam. Eu pensei: “Meu, que risco! Uma cena de 7 x 3 = 21!” E o público entendeu o que estamos propondo. Isso é muito mágico!

Ivam Cabral e Helena Ignez em cena de Pessoas Sublimes - Foto: André Stefano/Divulgação

Ivam Cabral e Helena Ignez em cena de Pessoas Sublimes – Foto: André Stefano/Divulgação

Pessoas Sublimes

Sinopse
À beira da represa Guarapiranga, há um condomínio com um portal de passagem entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Lá vivem pessoas que dividem seus dramas, como o jovem nerd apaixonado pela menina fútil; o casal que cria abelhas sem saber o que os aguarda; as irmãs que se odeiam e tentam aprender a se suportar; o menino tímido e o ex-matemático.

Serviço:
Local: Espaço dos Satyros Um (Praça Franklin Roosevelt, 214 – Consolação)
Estreia: 12 de fevereiro
Temporada:Quarta a sábado 21h, domingo 20h – até 17 de abril
Duração: 110 minutos
Classificação:Livre
Valor do ingresso:R$ 20,00 / R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)
Telefone para reservas:11 3258 6345 / 3255 0994
Site: www.satyros.com.br

Ficha Técnica
Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Encenação:Rodolfo García Vázquez
Assistente de direção: Marjorie Serrano
Elenco: Bel Friósi, Eduardo Chagas, Fabio Penna, Felipe Moretti, Fernanda D’Umbra, Gustavo Ferreira, Helena Ignez, Henrique Mello, Ivam Cabral, Luiza Gottschalk, Maria Tuca Fanchin, Phedra de Córdoba e Sabrina Denobile
Cenários: Marcelo Maffei
Figurinos:Bia Pieratti e Carol Reissman
Iluminação:Rodolfo García Vázquez e Flávio Duarte
Trilha Sonora:Henrique Mello
Próteses:Eduardo Chagas
Perucas:Lenin Cattai
Dramaturgismo:Guilherme Dearo e Nina Nóbile
Fotografias:Andre Stefano
Divulgação:Diego Ribeiro
Coordenação de produção:Daniela Machado
Produção Executiva: Sílvio Eduardo
Administração: Israel Silva
Operador de luz:Flávio Duarte
Operador de som:Dennys Leite

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2 Resultados

  1. fevereiro 12, 2016

    […] É hoje Pessoas Sublimes, nova peça do grupo Os Satyros, estreia nesta sexta (12) no Satyros Um, na famigerada praça Roosevelt, em São Paulo. Tem gente se matando por uma entrada só para ver Ivam Cabral como o menino Desatino. Ele e o diretor Rodolfo García Vázquez, com quem escreveu a peça, deram a última Entrevista de Quinta: veja que beleza. […]

  2. fevereiro 17, 2016

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