Artistas representam teatro brasileiro em Cuba

Carolina, de Lorca (à esq.), do Grupo dos Dois, com Carolina Correa, e Get Out (à dir.), do Quatroloscinco, com Assis Benevenuto, participam do Tercer Festival del Monólogo Latinoamericano de Cuba - Fotos: Jeremie Wach-Chastel e André Fossati

Carolina, de Lorca (à esq.), do Grupo dos Dois, com Carolina Correa, e Get Out (à dir.), do Quatroloscinco, com Assis Benevenuto, participam do Tercer Festival del Monólogo Latinoamericano de Cuba – Fotos: Jeremie Wach-Chastel e André Fossati

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Dois grupos teatrais de Minas Gerais e um de São Paulo representam o Brasil no 3º Festival do Monólogo Latino-Americano e Prêmio Terry de Cuba. O evento é realizado na cidade de Cienfuegos desde a última terça (9) até este domingo (14).

Espetáculos de Belo Horizonte, Carolina, de Lorca, do Grupo dos Dois, com atuação de Carolina Correa e direção de Léo Kildare Louback e Antonia Claret, e Get Out, do grupo Quatroloscinco Teatro do Comum, com atuação e direção de Assis Benevenuto, foram selecionados e apresentados aos cubanos com sucesso, assim como o espetáculo paulistano Artrium Carceri, da paulista Cia. Paradóxos, com atuação de Mário Goes e direção de Eduardo Osório.

Sonho realizado

“É muito sonho estar em Cuba, é um povo acolhedor. Viva o teatro que está me proporcionado momentos inesquecíveis”, declarou, diretamente da ilha, a atriz Carolina Correa.

Em conversa com o site, ela afirmou que não teve dificuldade com o idioma, já que a peça foi apresentada em castelhano: “Há mais de 15 anos sou professora de espanhol e trabalhei no Consulado da Argentina em Belo Horizonte e em algumas empresas argentinas também”, explica. “Desde nova, lutei e sonhei por uma maior integração cultural entre os países da América Latina”, declara.

Segundo Correa, “é comum escutar que o Brasil está de costas para os outros países latinos, ignorando suas culturas e histórias que, afinal, nos pertencem também”. Para ela, “apesar da globalização, as culturas não se comunicam tanto quanto poderiam”.

“Quando idealizei meu monólogo Carolina, de Lorca, com a ajuda da direção de Léo Kildare Louback e da Antonia Claret, percebi que seria o momento de tentar essa integração e levar nosso trabalho para outros cantos”, recorda a atriz.

Foi assim que, por intermédio do Grupo Peruano Yuyachkani, a peça foi convidada a se apresentar em Buenos Aires no Festival Efimero de Teatro Independiente. Desde 2013, passou por outros festivais argentinos, pelo Santiago Off, no Chile, e, agora, Cuba, somando seis viagens internacionais. “Conseguimos tecer uma rede de contatos com pessoas, grupos e festivais muito importantes e interessantes”, diz.

“É uma emoção poder levar um trabalho tão meu no sentido autobiográfico a uma cultura tão diferente da nossa. Uma realização profissional e pessoal”. No começo do ano, ela apresentou sua outra peça, Temblor – Un Solo para Dos Actrices, ao lado de Léo Kildare Louback, em Santiago do Chile.

Quatroloscinco e Grupo dos Dois: Marcos Coletta, Assis Benevenuto, Léo Kildare Louback e Carolina Correa, durante a viagem a Cuba - Foto: Divulgação

Quatroloscinco e Grupo dos Dois: Marcos Coletta, Assis Benevenuto, Léo Kildare Louback e Carolina Correa, durante a viagem a Cuba – Foto: Divulgação

Internacionalização

O grupo Quatroloscinco também se internacionaliza cada vez mais. Já esteve em festivais na Argentina e no Uruguai e se apresenta pela primeira vez em Cuba, sua terceira viagem internacional.

“Cuba é um mito, estamos muito felizes”, diz Assis Benevenuto. “O circuito internacional é muito fechado e as formas de isso acontecer são sempre mínimas ou inexistentes. Então, quando a gente consegue furar o esquema e participar é ótimo”, declara.

Ele lembra da importância da integração proposta pelo festival cubano. “É um festival de solos, de monólogos, que exige que todos os participantes permaneçam durante todo o evento, vendo as peças, participando. É um convívio que o festival propõe. Isso é sempre incrível. Afinal de contas, é teatro, é esse lugar do encontro”.

Marcos Coletta, integrante do Quatroloscinco que viajou com Benevenuto a Cuba, “é muito importante sair do país com um espetáculo do grupo”. “A internacionalização ainda é uma ação muito tímida no Brasil, e ainda mais em Minas Gerais, onde são poucos os grupos que têm saída para o exterior”.

Números

Ao todo, 24 obras de nove países foram selecionadas entre as 53 peças inscritas de 12 nações no 3º Festival do Monólogo Latino-Americano e Prêmio Terry, que terá 45 apresentações ao todo. Além do Brasil e Cuba, há representantes da Argentina, Colômbia, Equador, Ururuguai, México, Porto Rico e Espanha.

O júrio do Prêmio Terry é formado por Vivian Martínez Tabares, diretora do Teatro de Casa de las Américas; Raúl Martín, diretor do grupo Teatro de la Luna; Tin Urbinatti, ator brasileiro representando a Cooperativa Paulista de Teatro, Monse Duany, ganhadora do Prêmio Terry de melhor atriz, e Cristian Medina, dramaturgo e diretor, também já agraciado com o Terry.

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