A lição de Brunielly Keith contra o racismo e a liberdade de seu cabelo black

Brunielly Keith: "Meu cabelo não é ruim" - Foto: Arquivo pessoal

Brunielly Keith: “Meu cabelo não é ruim” – Foto: Arquivo pessoal

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Brunielly Keith poderia ser apenas mais uma entre os milhares de estudantes de jornalismo do Brasil. Mas não é.

Virou notícia nesta semana, ao ir à frente de sua sala de aula em uma faculdade de Divinópolis, Minas Gerais, e dizer a seus colegas: “Meu cabelo não é ruim”.

Brunielly é negra, coisa ainda rara no mundo do jornalismo. Nas redações, negros, quando não são os únicos, ainda são um dos poucos.

Mas Brunielly não se acanhou diante de sua posição minoritária na sala de aula. E enfrentou quem agiu de forma repugnante contra ela.

Dia desses, Brunielly precisou faltar à aula. Em sua ausência, colegas (seriam mesmo?), todos futuros jornalistas, aproveitaram, de forma covarde, para criticar o fato de a estudante utilizar seu cabelo tal qual a natureza lhe deu.

No relato da própria Brunielly, os colegas chegaram a sugerir a uma amiga da estudante que dissesse para ela “passar creme” ou cortar seu cabelo, que não “estaria legal” na visão dos racistas.

A estudante preferiu não se calar, quando soube do ocorrido, e reagiu com inteligência e coragem, escolhendo as palavras como sua forma de combate.

Seu discurso em sala de aula foi gravado e logo viralizou na internet. Nele, Brunielly Keith declama um poema de Thiago Yuri sobre a negritude.

“Meu cabelo não é ruim. Ruim é você que fala mal de mim e não tem coragem de olhar nos meus olhos para escutar a resposta”, diz ela.

E ainda avisa, aos racistas: “Eu vou passar com meu black livre, leve, solto, pra cima e grande, sim”.

Ainda bem.

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