Por trás do pano – Rapidinhas teatrais

Jé Oliveira e Eugênio Lima: opiniões distintas sobre a presença do negro na MITsp - Fotos: André Murrer e Leonardo Rogério/Divulgação

Jé Oliveira e Eugênio Lima: opiniões distintas sobre a presença do negro na MITsp – Fotos: André Murrer e Leonardo Rogério/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Negro na MITsp
A discussão sobre a presença do negro na MITsp está fortíssima. Tanto que é mais falada que o próprio evento. Sobretudo entre a própria comunidade artística. E dois grandes expoentes da comunidade negra nas artes fizeram artigos neste site com opiniões divergentes. Jé Oliveira, do Coletivo Negro, escreveu primeiro. Depois, Eugênio Lima, que dirigiu a performance-política Em Legítima Defesa, respondeu. Vale a pena ler os dois textos com toda a calma do mundo. E refletir.

Viva a democracia
Opiniões divergentes à parte, a coluna acredita que a performance-protesto, com atores negros ocupando de forma surpreendente as plateias do Centro Cultural São Paulo e do Theatro Municipal, acabou por suscitar o debate da presença do negro no teatro brasileiro. Estamos todos fartos de saber que o negro ainda é tratado com preconceito por curadores, diretores e programadores do teatro, isso para não falar da televisão e do cinema. Quanto mais se falar sobre o tema e conscientizar a sociedade, melhor. Que a gente possa dialogar mais.

Subalternidade
Salloma Salomão, escritor e ativista do movimento negro, sobre tudo isso, escreveu: “Sobre a Mit.Sp. Tem saltado à cena exclusivos tradutores de negritude para plateia da elite de consumidores brancos. Em nome da conveniência e convivência, discursivamente modulam de apologias da mestiçagem taticamente freyreana, para a romantização da luta negra nos EUA. Não sem a complexidade estética eurocentrada, alimentam a subalternidade coletiva em nome das migalhas pessoais que sobram da mesa das elites culturais brancas.”

Parte da plateia reage em apoio aos artistas negros na performance-política Em Legítima Defesa, no Centro Cultural São Paulo, na última sexta (4) - Foto: Caio Campos/Divulgação

Parte da plateia reage em apoio aos artistas negros na performance-política Em Legítima Defesa, no Centro Cultural São Paulo, na última sexta (4) – Foto: Caio Campos/Divulgação

Registro
A coluna conseguiu a foto acima da plateia do Centro Cultural São Paulo no momento em que, ao final da ação na sexta (4), os atores negros levantaram os braços esquerdos com o punho cerrado, em demonstração de poder do povo negro. A imagem pega a reação da plateia. A maioria dos negros levantou a mão também (a coluna, inclusive), em apoio à causa dos artistas negros. Entretanto, muitos não o fizeram, optando por apenas observar em silêncio o que acontecia. Leia a reportagem no UOL.

Atores negros de punhos cerrados para o alto: chega de preconceito, gente - Foto: Caio Campos/Divulgação

Atores negros de punhos cerrados para o alto: chega de preconceito, gente – Foto: Caio Campos/Divulgação

Emoção
Muita gente chorou diante da performance dos artistas negros. Realmente, foi de arrepiar. A coluna confessa que ficou emocionada também. Pegou forte.

Cadê os negros?
O repeteco de Em Legítima Defesa no Theatro Municipal na segunda (7) ocorreu por decisão de Eugênio Lima, diretor da ação, em conjunto com a direção da MITsp, feita por Guilherme Marques e Antônio Araújo. Eles consideraram que seria um marco fazer a performance em um palco tão associado à elite branca paulistana. No Municipal, participaram quase 60 artistas negros, contra os cerca de 20 no Centro Cultural São Paulo. E se no Centro Cultural São Paulo havia 16 negros na plateia de 321 lugares, no Theatro Municipal a proporção foi mais vergonhosa para nossa sociedade excludente: eram só 14 em cerca de mil pessoas presentes nas poltronas de veludo vermelho.

Jé Oliveira em cena da peça Farinha com Açúcar, que estreia no dia 15 de março no Sesc Pompeia - Foto: Divulgação

Jé Oliveira em cena da peça Farinha com Açúcar, que estreia no dia 15 de março no Sesc Pompeia – Foto: Divulgação

Farinha com açúcar
Jé Oliveira e o Coletivo Negro estreiam no próximo dia 15, terça-feira, no Sesc Pompeia, a peça Farinha com Açúcar ou Sobre a Sustança de Meninos e Homens, que fala sobre a violência que os negros sofrem. Fica em cartaz até 6 de abril, sempre terça e quarta, 21h. Programe-se.

Pesquisa farta
Em um ano, o Coletivo Negro entrevistou 12 homens negros de diversas idades e ocupações, com a intenção de verificar alguma unidade nas trajetórias e buscar inspiração para a construção de uma narrativa sobre suas experiências. É obrigatório ver.

Conclusão
Mudando de assunto, depois que o veterano novelista Benedito Ruy Barbosa declarou: “odeio história de bicha”, o diretor Paulo Faria, do Pessoal do Faroeste, formulou a seguinte frase: “Mais motivos pra desligar a Globo e ir ao teatro”.

Novato
O ator Bruno Lourenço vai entrar para o elenco da peça Luz Negra, do Pessoal do Faroeste, em cartaz às segundas e terças no espaço do grupo, na Luz.

Cia Elevador faz peça Sala dos Professores em seus 15 anos - Foto: Joao Caldas/Divulgação

Cia Elevador faz peça Sala dos Professores em seus 15 anos – Foto: Joao Caldas/Divulgação

Problema educacional
A Cia. Elevador, dirigida por Marcelo Lazaratto, marcou para esta sexta (11), a estreia de sua nova peça: Sala de Professores. Com ela, celebra seus 15 anos de trajetória. Parabéns.

Bolada
Antunes Filho vai ganhar R$ 100 mil de Prêmio Governado do Estado como Destaque Cultural de 2015.

E o Zé?
Bem que podiam ter dado uma quantia também para Zé Celso, que está precisando pagar suas dívidas…

Chico canta
Falando em Zé Celso, o músico Chico César vai tocar no Teat(r)o Oficina toda quarta-feira de março, às 21h, para arrecadar fundos para o grupo. Estão todos convidados. Veja ele cantando com Cellia Nascimento, que beleza:

Todo mundo junto
Ah, Cellia Nascimento cantou na peça 100% São Paulo, no Theatro Municipal, dentro da MITsp. Ela mandou muito bem em Trem das Onze, música na qual foi acompanhada pela plateia, eufórica.

Dose dupla
A próxima quinta, dia 17 de março, terá duas estreias nos palcos paulistanos. A primeira é Vermelho Labirinto, o novo texto e direção de Pedro Granato, no Sesc Pinheiros. A segunda é Sobre Ratos e Homens, texto do ganhador do Prêmio Nobel John Steinbeck, com direção de Kiko Marques no Sesc Bom Retiro. No elenco, estão Ando Camargo, Ricardo Monastero e Nathallia Rodrigues. Marcou na agenda?

Leonardo Miggiorin estreia como diretor em Curitiba - Foto: Divulgação

Leonardo Miggiorin estreia como diretor em Curitiba – Foto: Divulgação

Miggiorin, o diretor
O ator Leonardo Miggiorin estreia como diretor no Fringe do Festival de Teatro de Curitiba, com o espetáculo“O Encontro das Águas. O texto é do dramaturgo e jornalista Sérgio Roveri e traz Patrícia Vilela e João Fenerich no elenco. Fala sobre o acaso e seu incontestável poder de provocar mudanças na vida das pessoas. Eita.

Ponte 
A história se passa em uma ponte, onde Marcelo e Apolônio entram em discussão sobre aspectos da vida e da morte. Este encontro inesperado pode mudar definitivamente o rumo das duas personagens. O personagem Apolônio, vivido pela atriz Patrícia Vilela é representado por um andarilho provocador e sátiro. Facetas que o revelam tão humano e frágil, assim como o personagem Marcelo, que se encontra desorientado e desesperado, interpretado pelo ator João Fenerich.

 

Cena da peça O Encontro das Águas, com Patrícia Vilela e João Fenerich - Foto: Divulgação

Cena da peça O Encontro das Águas, com Patrícia Vilela e João Fenerich – Foto: Divulgação

Baile Curitibano
Há um recorde de espetáculos de dança na Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba, que chega à 25ª edição entre 22 de março e 3 de abril. São 8 espetáculos, dentre os 35 da Mostra 2016, que envolvem dança ou tem alguma ênfase na expressão do corpo em movimento: Mordedores, La Cena, O Confete da Índia, La Bête (o Bicho), The Hot One Hundred Choreographers, Grão da Imagem – Vaga Carne, Fole e Mó – Dramaturgias em Dança e Desenhos de Comunidade. Que gostoso.

The Noite no Risorama
Entre os comediantes que desembarcam em Curitiba para o 13º Risorama, a mostra de stand-up do Festival, está o elenco completo do programa The Noite, do SBT: Danilo Gentili, Léo Lins, Murilo Couto, Juliana Oliveira e Diguinho Coruja se apresentam juntinhos na segunda-feira, dia 28 de março. Pra quem gosta, riso não faltará.

Marcos Damigo está em monólogo baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis - Foto: Matheus Heck e Dave Santos/Divulgação

Marcos Damigo está em monólogo baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis – Foto: Matheus Heck e Dave Santos/Divulgação

Solitário
O ator Marcos Damigo pede para a coluna avisar todo mundo que seu solo As Sombras de Dom Casmurro estreia na próxima quarta, dia 16, no Sesc Ipiranga. A direção é de Débora Dubois. Vai, gente.

Caixinha pra Phedra
Phedra D. Córdoba, a diva cubana, segue internada no Hospital Heliópolis, onde é visitada diariamente por seus amigos do teatro. O amor é tanto que no bar do Espaço dos Parlapatões há uma caixinha para que os amantes dos palcos possam doar qualquer quantia para a atriz custear seu tratamento. Ela agradece a todos e manda muitos beijos.

Coisas de Rogéria
Rogéria, amiga de Phedra há mais de meio século, teve o carinho de gravar um vídeo especialmente para a amiga. Disse que quer vê-la rapidamente arrasando nos palcos. Oxalá.

Meus escritores
Cléo De Páris, a atriz, gosta de Guimarães Rosa. E de Clarice Lispector.

Os Realistas faz temporada de sexta a domingo entre 1º de abril e 29 de maio no Teatro Porto Seguro: ingressos já estão à venda - Foto: Divulgação

Os Realistas faz temporada de sexta a domingo entre 1º de abril e 29 de maio no Teatro Porto Seguro: ingressos já estão à venda – Foto: Divulgação

Bloch produções
Muita gente não sabe, mas Débora Bloch é produtora teatral desde os anos 1980. A atriz retoma a atividade com Os Realistas. Após sucesso no Rio, a peça chega a São Paulo no dia 1º de abril (é verdade, gente), no Teatro Porto Seguro. Guilherme Weber dirige a montagem que, além de Bloch, tem também Emílio de Mello, Fernando Eiras e Mariana Lima. Esta é a primeira montagem do texto de estreia do dramaturgo Will Eno na Broadway em nossa América Latina. Os ingressos já estão à venda.

Coisas de casais
Os Realistas tem dois casais de vizinhos que se encontram e descobrem ter mais em comum do que as casas idênticas e sobrenomes iguais. É claro que este quarteto vai pegar fogo!

Ordinários
Como o nome diz, Guilherme Weber abraça o realismo na peça. “É um gênero em que os heróis dão lugar a pessoas comuns. Nesta história, Eno desloca seus personagens para uma pequena cidade interiorana e campestre, em um movimento de alguma maneira também reverente ao teatro de Tchekhov. Este confronto com a natureza, o vasto e o desconhecido faz com que estes personagens se cruzem em uma comédia existencialista sobre vida, morte, amor e vizinhos”, adianta.

Ivam Cabral: Personalidade Teatro R7 2013 - Foto: Bob Sousa

Ivam Cabral: Personalidade Teatro R7 2013 – Foto: Bob Sousa

Me dá uma entrada?
Tem gente se descabelando para conseguir um ingresso para ir ao Prêmio APCA, na próxima terça, 15, no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros. É um Deus nos acuda!

Mistura fina
Ivam Cabral, o diretor da cerimônia pelo segundo ano consecutivo, misturou celebridades com nomes do teatro e das artes na apresentação das categoria. Grazi Massafera e Mônica Iozzi estão confirmadas. Este vosso colunista será mestre de cerimônias ao lado da crítica Edianez Parente. É uma chiqueza que só.

Fotógrafo dos palcos
Bob Sousa vai entregar um dos prêmios na noite de gala da APCA. Ele revelou à coluna que vai comprar uma gravata nova para a ocasião. Faz bem. Kyra Piscitelli, crítica teatral, também subirá ao palco.

Dan Stulbach: ele terminou seu contrato com a Band e está aberto a novos convites - Foto: Bob Sousa

Dan Stulbach: ele terminou seu contrato com a Band e está aberto a novos convites – Foto: Bob Sousa

Liberdade
Dan Stulbach está livre, leve e solto. Rescindiu seu contrato com a Band e agora quer se dedicar ao teatro, ao cinema e aos projetos de TV. Ele vai fazer uma websérie e vai viajar o Brasil todo com a comédia Morte Acidental de um Anarquista, em cartaz no Masp. Leia a reportagem no UOL.

Tango
Produtoras de Morte Acidental de Um Anarquista, Célia Forte e Selma Morente passaram os últimos dias em Buenos Aires. Vem coisa portenha para os nosso palcos, com certeza.

Bruna Thedy é a diva do cinema Brigitte Bardot no palco do Teatro do Masp - Foto: Jefferson Pancieri/Divulgação

Bruna Thedy é a diva do cinema Brigitte Bardot no palco do Teatro do Masp – Foto: Jefferson Pancieri/Divulgação

L’amour
Bruna Thedy só pensa em Brigitte Bardot, a diva francesa que vive na peça Com Amor, Brigitte, em cartaz no Teatro do Masp. Ela contou tudo sobre a obra para este vosso colunista. Leia a reportagem especial para o UOL.

 

Você pode gostar...

1 Resultado

  1. Leomira Camargo Nunes disse:

    Quero ir na entrega do Prêmio APCA . Sempre estou nos Teatros em SP, com o GRUPO VAMOS AO TEATRO prestigiando os atores, diretores, produtores e…..há 28 anos de estrada. Acho que mereço estar nessa festa .Morente e Forte me conhece .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *