“Compartilho algo além do medo”, diz Michelle Moura, que faz Fole no Festival de Curitiba

A bailarina e performer Michelle Moura, que faz Fole no 25º Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Annelize Tozetto/Clix

A bailarina e performer Michelle Moura, que faz Fole no 25º Festival de Teatro de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Clix

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial a Curitiba*
Fotos ANNELIZE TOZETTO/Clix

Michelle Moura toma um café com muita calma. É manhã e o ar está fresco no Solar do Rosário, no centro histórico curitibano. Ela apresenta nesta sexta (1) e sábado (2), às 21h, na Casa Hoffmann, o espetáculo Fole.

A bailarina e performer conta que acha “incrível” que o evento de sua cidade se abra para mais expressões artísticas fora do teatro mais tradicional. “As áreas estão fusionadas. Em Curitiba não há um festival de dança contemporânea, então, acho ótimo esse movimento do Festival, de trazer Wagner Schwartz, Marcelo Evelin, entre outros”.

Apesar de curitibana, Michelle se define como “artista nômade”. “Meus trabalho circulam com os festivais, então, viajo muito”, revela.

A bailarina e performer Michelle Moura, que faz Fole no 25º Festival de Teatro de Curitiba - Foto: Annelize Tozetto/Clix

A bailarina e performer Michelle Moura, que faz Fole no 25º Festival de Teatro de Curitiba – Foto: Annelize Tozetto/Clix

Em Fole, ela trabalha a hiperventilação do corpo, aumentando a quantidade de oxigênio no sangue, para propor uma mudança corporal. “Eu respiro muito. É um trabalho ligado à entrega. De quebrar velhos hábitos, de poder ser outro”.

Para a artista, é importante a gente “ser livre da gente mesmo” e “não ficar preso a um só padrão”. Diz que o espectador é envolvido pela obra. “O público pulsa comigo”.

Em seu trabalho sensorial, prefere abandonar o pensamento racional para mudar de perspectivas. “A gente tem que querer entender que o outro é diferente. A diversidade está explodindo e surgem forças reacionárias. Para mudar de perspectiva é preciso coragem e entrega”, analisa.

Questionada sobre a tensão política que faz o Brasil atual se confrontar, a artista busca seu posicionamento falando de seu próprio trabalho. “O medo te deixa rígido e faz as pessoas não pensarem. Eu compartilho com as pessoas algo que vai além do medo. Não tem nada mais político do que propor mudanças para o corpo e a mente. Ter uma nova postura, que nos faça pensar diferente. Eu ofereço isso em 40 minutos, mas que consegue ter ressonâncias posteriores”, conclui.

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *