Artista transexual é Salomé em peça gratuita em SP

Glamour Garcia em cena no solo Salomé, em cartaz na Casa da Luz, em São Paulo com entrada grátis - Foto: Guilherme Godoy/Divulgação

Glamour Garcia em cena no solo Salomé, em cartaz na Casa da Luz, em São Paulo com entrada grátis – Foto: Guilherme Godoy/Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Referências não faltam a Glamour Garcia, artista transexual que estreia nesta quinta a peça Salomé, na Casa da Luz, em São Paulo.

Apesar de o nome da peça revelar a lendária mulher que pediu a cabeça de João Batista após encantar o rei Herodes com sua dança, segundo o relato bíblico, a Salomé de Glamour é um diálogo múltiplo.

Para fazer a obra dirigida pelo artista português Alexandre Magno, ela mergulhou em nomes como Wilde, Strauss e Flaubert, que abordaram a personagem em suas obras.

Glamour ainda buscou inspiração na personagem Norma Desmond, consagrada por Gloria Swanson no filme Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, um dos clássicos do cinema mundial.

Por meio de Salomé, Glamour Garcia discute todas as mulheres - Foto: Guilherme Godoy/Divulgação

Por meio de Salomé, Glamour Garcia discute todas as mulheres – Foto: Guilherme Godoy/Divulgação

“A personagem é um arquétipo, possui uma força cultural e uma representatividade do feminino. Sabe o seu lugar. O solo é como se fosse a história de muitas mulheres, é uma forma de dar voz à todas elas, ir além da beleza, maternidade”, diz Glamour.

Em sua visão, Salomé carrega “muitos preconceitos deterministas que a desumanizaram, tornando-a um monstro que deve ser combatido”.

A atriz consegue enxergar mais na dançarina que impactou o rei Herodes. “A enxergo como uma criatividade pulsante de viver e uma expressão dos anseios feministas e delirantes. É uma forma de transmitir ao mundo minha inconformação real com a falta de magia e a sensibilidade de toda nossa existência”, declara.

Sem patrocínio

Na peça, ainda há espaço para discussões sobre o ocultismo e o lugar da mulher no mundo, em uma tentativa de resgate da personagem Salomé do limbo histórico.

A peça foi levantada na raça, sem editais ou patrocínios, revela o diretor. “A criação foi calcada somente na vontade de fazer. Um diálogo com a própria Salomé que não se encaixa no meio patriarcal com sua rebeldia”, afirma Magno.

As sessões, gratuitas, são às quintas, sextas e sábados, 21h, e domingo, 19h, até 22 de maio, com duração de 40 minutos. A Casa da Luz fica na rua Mauá, 512, próximo à Estação da Luz, no centro paulistano.

Atenção: é bom chegar com antecedência, pois só há 25 lugares por sessão. Informações pelo telefone 11 3326-7274.

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2 Resultados

  1. Phillipe disse:

    Bela a atriz!

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