Sexualidade dos cegos invade o palco em Volúpia da Cegueira, estreia de Alexandre Lino como diretor

Volúpia da Cegueira faz temporada no Rio e marca estreia de Alexandre Lino como diretor: vida sexual dos cegos no palco - Foto: Janderson Pires

Volúpia da Cegueira faz temporada no Rio e marca estreia de Alexandre Lino como diretor: vida sexual dos cegos no palco – Foto: Janderson Pires

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

O ator Alexandre Lino, que acaba de participar do 25º Festival de Teatro de Curitiba com a peça Nordestinos, resolveu que era chegada a hora de estrear como diretor teatral com sua Documental Cia, sempre investigando o mundo ao seu redor e o poetizando em cena.

O texto escolhido foi o inédito Volúpia da Cegueira, de Daniel Porto, que descortina a vida sexual dos cegos.

A obra, que estreou na última quinta (7), fica em cartaz até 15 de maio no Teatro Municipal Maria Clara Machado, no Rio.

Lino já havia exercitado a experiência como diretor no cinema, onde esteve no comando de quatro curtas e dois documentários de longa-metragem.

Felipe Rodrigues, Alessio Abdon, Moira Braga e Max Oliveira em Volúpia da Cegueira, com direção de Alexandre Lino - Foto: Janderson Pires/Divulgação

Felipe Rodrigues, Alessio Abdon, Moira Braga e Max Oliveira em Volúpia da Cegueira, com direção de Alexandre Lino – Foto: Janderson Pires/Divulgação

Na peça, quatro personagens cegos mergulham num jogo erótico-afetivo para encenar suas fantasias e tabus sexuais.

No elenco estão Moira Braga, Felipe Rodrigues, Max Oliveira e Aléssio Abdon, dois realmente cegos. E o público também pode vivenciar a escuridão, já que a produção fornece vendas a quem deseja sentir a peça no escuro.

Pernambucano radicado no Rio, Lino conviveu na infância com um tio cego e também já abordou o assunto na peça Asilo Paraíso, como ator, baseada na história deste seu parente.

“As pessoas acham que os cegos são assexuados. Nunca tive essa impressão. Meu tio ficou cego aos 18 anos, no auge de sua descoberta sexual, e continuou sendo muito ativo, mesmo depois de desenvolver a cegueira”, diz.

O desejo de dirigir uma peça sobre o tema foi aguçado quando leu o livro de contos eróticos Tripé do Tripudio, de Glauco Mattoso, escritor cego, homossexual e masoquista.

Lino ficou tão impressionado com a obra que começou a pesquisa e logo convidou Porto, com quem trabalhou em O Pastor e Acabou o Pó, a escrever a dramaturgia.

“Apesar de poética, a peça também tem um caráter documental forte, que está presente em todos os meus trabalhos. A ideia é tentar mostrar que quando estamos falando de sexo, pelo menos nesse campo,  ser cego ou vidente não faz diferença”, conclui Lino.

Alexandre Lino estreia como diretor com Volúpia da Cegueira - Foto: Annelize Tozetto/Clix

Alexandre Lino estreia como diretor com Volúpia da Cegueira – Foto: Annelize Tozetto/Clix

Volúpia da Cegueira
Onde: Teatro Municipal Maria Clara Machado – Av. Padre Leonel Franca, 240 – Gávea – Tel. (21) 2274-7722
Quando: 07 de abril a 15 de maio de 2016; de quinta a domingo, às 20h
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Duração: 70 min
Classificação indicativa: 16 anos

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