Crítica: A Juventude, de Sorrentino, é um dos melhores filmes dos últimos tempos

Michael Caine e Harvey Keitel em cena de A Juventude, de Paolo Sorrentino - Foto: Divulgação

Michael Caine e Harvey Keitel em cena de A Juventude, de Paolo Sorrentino – Foto: Divulgação

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Não é sempre que uma obra de arte consegue ser sublime. Ainda mais no combalido cinema atual. Pois o cineasta italiano Paolo Sorrentino, que já havia arrebatado as plateias inteligentes com A Grande Beleza (vencedor do Oscar 2013 de melhor filme estrangeiro), repete a dose em A Juventude (Youth), mais sensível ainda e que o leva ao panteão dos cineastas mais talentosos da atualidade.

Cuidadoso com a estética de sua obra, Sorrentino abusa de uma fotografia arrojada e poética, a cargo de Luca Bigazzi (o mesmo de A Grande Beleza), e de locações deslumbrantes — um hotel cinco estrelas na Suíça, onde se passa a maior parte do longa, e a cidade Veneza, na Itália, uma das mais belas criações do homem em conjunto com a natureza.

O italiano Paolo Sorrentino, um dos melhores cineastas da atualidade - Foto: Divulgação

O italiano Paolo Sorrentino, um dos melhores cineastas da atualidade – Foto: Divulgação

Logo na introdução surge o vigor da banda The Retrocettes Sister Band e seu visual anos 60 performando com a canção You Got The Love num palco giratório. Tal qual ocorre em A Grande Beleza com sua festa de abertura, A Juventude já pega de cara o espectador para dentro de seu mundo poético e sensível.

Para conduzir sua história, Sorrentino conta com os atores irretocáveis Michael Caine e Harvey Keitel como dois velhos amigos que enxergam a velhice por ângulos diferentes. Enquanto o primeiro faz um músico renomado que só quer curtir em paz seus últimos dias mergulhado no tédio, a ponto de recusar um convite da Rainha Elizabeth, o segundo é cineasta e pretende realizar seu último filme, uma espécie de longa-testamento protagonizado pela atriz que lançou 50 anos atrás, papel de Jane Fonda, em aparição hipnotizante e visceral que lhe rendeu indicação ao Oscar 2013 de melhor atriz coadjuvante.

Rachel Weiz, na pele da filha do músico e sua assistente, ajuda a equilibrar essa história com doçura, conflito e afeto.

Cena de A Juventude, de Paolo Sorrentino, com Paul Dano, Harvey Keatel e Michael Caine - Foto: Gianni Fiorito/Divulgação

Cena de A Juventude, de Paolo Sorrentino, com Paul Dano, Harvey Keatel e Michael Caine – Foto: Gianni Fiorito/Divulgação

O filme, inteligente, lança olhar irônico e ferino não só para a velhice ou a juventude, mas para a vida em si, incluindo aí a fogueira das vaidades do mundo do show business, com direito a Maradona e Miss Universo hospedados no mesmo hotel, revelando toda a sua humanidade, quase sem querer.

E o personagem que representa mais que todos esta busca do humano é o ator vivido por Paul Dano, à procura da comprovação de seu talento com um personagem distante de si e que acaba lhe revelando muito mais do que esperava — o ator chama a atenção por suas atuações sensíveis desde Pequena Miss Sunshine, no qual fazia o irmão adolescente da menina que sonhava em ser miss.

A Juventude é um filme repleto de lirismo, com roteiro preciso e inteligente, cercado de imagens deslumbrantes para onde quer que o espectador olhe. E com personagens desempenhados por atores próximos à perfeição. Vê-lo é obrigatório. Porque a experiência que o longa de Sorrentino proporciona é indescritível. Não há duvida de que é um dos melhores filmes dos últimos tempos.

A Juventude: poesia e inteligência em um dos melhores filmes dos últimos tempos - Foto: Divulgação

A Juventude: poesia e inteligência em um dos melhores filmes dos últimos tempos – Foto: Divulgação

Onde ver em São Paulo: Reserva Cultural

Veja o começo do filme A Juventude no vídeo abaixo:

 

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