Crítica: Conflitos da praça Roosevelt encontram jovens sonhadores em Te Amo, Franco Roo

Miriam Limma é uma crítica de arte implacável em Te Amo, Franco Roo - Foto: Laercio Luz Fotografia

Miriam Limma é uma crítica de arte implacável em Te Amo, Franco Roo – Foto: Laercio Luz Fotografia

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

A praça Roosevelt, graças a grupos teatrais como Os Satyros e os Parlapatões, virou referência de encontro e arte não só na cidade de São Paulo quanto no mundo. E também de recuperação de um ambiente antes degradado por conta do empenho de artistas, que movimentaram o lugar com gente interessante e interessada.

É este tipo de gente que está no palco e nos bastidores da peça Te Amo, Franco Roo, que logo no título faz uma brincadeira com o apelido dado pelo grupo de dramaturgos à praça. A obra é escrita a dez mãos, pelo grupo intitulado Os Shakers: Alexandre Freire, Lucas Paiva, Sergio Virgilio, Vivi Roesil e Victor Hugo Valois, todos frequentadores assíduos do lugar.

Eliot Tosta em cena de Te Amo, Franco Roo: coisas da praça Roosevelt - Foto: Laercio Luz

Eliot Tosta em cena de Te Amo, Franco Roo: coisas da praça Roosevelt – Foto: Laercio Luz

Com tanta gente reunida, a dramaturgia é batida no liquidificador e resulta em um compilado de pequenas histórias que vão se cruzando tendo a praça como pano de fundo, repletas de referências literárias, cinematográficas e ironia fina com o mundo artístico contemporâneo, com seus seres muitas vezes perdidos, mas credores de genialidade intrínseca. Histórias sobre sonhadores repletos de conflitos.

Fernando Neves, do grupo Os Fofos Encenam, foi convocado para a direção. Sua marca é evidente nos ar circense presente em muitas das atuações, mas tal forma acaba sendo contraditória com o conteúdo da dramaturgia, que poderia casar-se melhor com um registro menos calcado em fórmulas prontas de se dizer o texto.

Duas atrizes conseguem escapar disso, rumando para uma construção mais madura e verossímil de suas personagens: Bruna de Moraes, como uma jovem artista com ares de garota do rock, e Miriam Limma, na pele de uma exigente crítica de arte que não tem peso algum na consciência ao destruir carreiras incipientes com seu texto ferino.

O elenco ainda traz Eliot Tosta, Heide Dória, Rodrigo Mazzoni e Vinicio Dutra.

Bruna de Moraes e Eliot Tosta em Te Amo, Franco Roo - Foto: Daniel Mello

Bruna de Moraes e Eliot Tosta em Te Amo, Franco Roo – Foto: Daniel Mello

Te Amo, Franco Roo apresenta um panorama desconexo da Roosevelt tanto quanto o é a própria praça, lugar marcado pelo ecletismo e a tentativa de convivência democrática de gente de distintas tribos que ainda buscam o encontro real como forma de suprir a banalidade da vida líquida plugada.

A realização desta peça, envolvendo tanta gente oriunda de lugares tão distintos, mas com vontade de fazer e de dizer coisas, é a prova de que se doar ao outro pode ainda ser possível, por mais utópico que isso possa parecer. Afinal, como cantou Cazuza, todos querem seu lugar ao sol e ganhar pra ser carente profissional.

Te Amo, Franco Roo * * *
Avaliação: Bom
Quando: Sábado, 21h, domingo, 18h. Até 5/6/2016
Onde: Estação Satyros – Praça Franklin Roosevelt, 134, República, São Paulo, tel. 11 3258-6345
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Classificação etária: 15 anos

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