Entrevista de Quinta: “O grande barato é estar no teatro”, diz Bob Sousa

O fotógrafo Bob Sousa: novo membro da APCA e curso no Sesc - Foto: Isabela Sousa

O fotógrafo Bob Sousa: novo membro da APCA e curso no Sesc – Foto: Isabela Hamazaki

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Fotos ISABELA HAMAZAKI

Bob Sousa, um dos principais fotógrafos do teatro brasileiro, se prepara para dar o curso “O Lugar da Fotografia na Cena Teatral Paulistana” no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo, entre 11 de outubro e 8 de novembro de 2016. Ele também acaba de tornar-se crítico membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), na área de artes visuais.

As aulas serão às terças, das 19h às 21h. O valor do curso é R$ 60 a inteira, mas professores do ensino público, deficientes e maiores de 60 anos pagam R$ 30, enquanto que credenciados do Sesc pagam R$ 18. As inscrições podem ser feitas a partir de 27 de setembro.

O fotógrafo, que também é publicitário, mestre em Artes pela UNESP (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”), onde foi orientado por Alexandre Mate, fala, nesta Entrevista de Quinta sobre as aulas que dará e  seu trabalho cotidiano de documentação de nosso teatro. O autor do livro “Retratos do Teatro” (Ed. Unesp) ainda comenta como enxerga a atual situação política do país e quem são nomes fundamentais em sua trajetória.

Leia com toda a calma do mundo.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Sobre o que vai ser o curso que você vai dar no CPF do Sesc? Com qual público espera dialogar?
BOB SOUSA — O curso é para pessoas interessadas em teatro, fotografia e questões que circundam essas duas artes da representação. Não é um curso de técnicas ou dicas fotográficas, mas um encontro pra se falar sobre os temas. É nesse ponto que o CPF/Sesc tem uma função primordial em apresentar essa proposta, pois trata-se de um centro de produção e difusão do conhecimento, interessado em fomentar o pensamento crítico..

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você enxerga a fotografia teatral?
BOB SOUSA — É difícil analisar essa questão olhando de dentro, mas percebo que nesses vários anos fotografando espetáculos teatrais a atividade cresceu bastante e novos profissionais têm se apropriado dessa prática. A fotografia digital também contribui muito pra isso.

Bob Sousa, o fotógrafo do teatro brasileiro - Foto: Isabella Sousa

Bob Sousa, o fotógrafo do teatro brasileiro – Foto: Isabela Hamazaki

MIGUEL ARCANJO PRADO — O que achou de sua entrada na APCA em artes visuais? Foi importante para você? Como foi recebido?
BOB SOUSA — Puxa! Foi uma grande surpresa e recebi com bastante entusiasmo. É uma baita responsabilidade também, né? Depois da conclusão do mestrado e agora com a continuação da minha pesquisa, penso que posso contribuir de alguma forma. O tempo, a disposição e o estudo constante irão me ajudar. É mais um caminho a ser percorrido. Poder perscrutar e dialogar com tantos projetos e artistas é muito estimulante. Tenho visitado muitas exposições e aprendido com o José Henrique Fabre Rolim, companheiro de comissão de artes visuais e atual presidente da APCA.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Além da já consagrada coluna “O Retrato do Bob”, aqui no site, você também está na revista Cult. Como você enxerga esta sua contribuição na imprensa?
BOB SOUSA — A revista Cult foi um grande presente pra mim. Eu que sempre estive fora da imprensa, conduzindo meu trabalho de maneira autônoma, estou aprendendo muito com o cotidiano das “pautas”. E estar num veículo tão importante quanto a revista Cult só aumenta minha responsabilidade. “O Retrato do Bob” já virou uma marca. Tenho um carinho muito grande por esse projeto que um dia vai se transformar num livro.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como é fazer este diálogo entre teatro e artes visuais por meio da fotografia?
BOB SOUSA — A vida é uma grande representação. Às vezes vejo fotos de espetáculos que poderiam muito bem representar uma ação do nosso cotidiano. É claro que isso é um modo simples de explicar o diálogo entre essas duas artes. Um modo simples de dizer que o assunto capturado pela câmera precisa ser traduzido pelo leitor da fotografia, mas gosto dessa maneira metafórica de unir a fotografia e o teatro. Na prática do dia-a-dia, do fazer fotográfico, dentro e fora das salas de teatro, o diálogo é mais truncado.

Detalhe de uma das câmeras de Bob Sousa - Foto: Isabella Sousa

Detalhe de uma das câmeras de Bob Sousa – Foto: Isabela Hamazaki

MIGUEL ARCANJO PRADO — Anda fotografando muito teatro?
BOB SOUSA — Muito. Mais do que eu mereço.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Qual tipo de teatro você gosta de fotografar?
BOB SOUSA — Gosto de fotografar tudo. Minha grande viagem é estar em contato com o teatro. Poderia falar sobre as estéticas teatrais, as formas de produção, os espaços cênicos, mas estaria desviando da pergunta. O grande barato é estar no teatro.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Como você vê este turbulento processo político no Brasil atual?
BOB SOUSA — Vejo o teatro reagindo. Vejo o teatro, mais uma vez na história, se colocando na linha de frente para discutir o momento politico brasileiro. Seja na escolha dos temas, nos espaços de discussão e de resistência. Veja as ocupações dos espaços do MinC. Aquilo foi maravilhoso! E, apesar de apreensivo, vejo esperança na formação de um pensamento crítico e autônomo que o teatro sempre ajudou a construir.

Bob Sousa: múltiplas referências para fotografar o teatro - Foto: Isabela Sousa

Bob Sousa: múltiplas referências para fotografar o teatro – Foto: Isabela Hamazaki

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você fez o mestrado com Alexandre Mate, que é um grande pensador do teatro paulistano, como foi essa convivência intelectual?
BOB SOUSA — O Alexandre é meu grande parceiro. A orientação que ele me deu foi pra vida e acabou se transformando num mestrado [risos]. Temos novos projetos juntos e alguns encontros pra discutir sobre teatro e vinho. Um dos caras mais inteligentes e generosos que conheci nesses anos de vida e labuta.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Quais são nomes que você tem como referência para seu trabalho?
BOB SOUSA — Minhas referências vêm de todos os lugares. Do teatro, cinema, literatura, fotografia e, principalmente, do cotidiano. Tenho lido bastante e estudado muito sobre teatro e fotografia. São muitos nomes. Quem participar do curso vai sair de lá com um punhado de nomes.

MIGUEL ARCANJO PRADO — Você tem uma trajetória de sucesso na fotografia teatral brasileira. Quem foi fundamental neste processo?
BOB SOUSA — Gente a dar com pau! Aprendi muito nesses anos todos de investigação com muita gente que passou pela minha vida – e a trajetória não é de tanto sucesso assim. Mas como essa entrevista pode ser lida daqui a muitos anos, tenho que ser mais direto. Minha esposa, Daniela, meus filhos, Isabela, Letícia e Pedro, Alexandre Mate, Miguel Arcanjo Prado e Ivam Cabral.

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1 Resultado

  1. Phillipe disse:

    Parabéns pela entrevista e parabéns para Bob pelo ingresso na APCA! Merecido.

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